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A Regra 80/20 no Amor

Você está procurando a pessoa perfeita ou a pessoa certa para você?

Vivemos em uma época em que parece existir uma infinidade de possibilidades amorosas. Aplicativos, redes sociais e encontros virtuais nos dão a sensação de que, se alguém não corresponde exatamente ao que imaginamos, basta continuar procurando.

Mas será que é assim que o amor funciona?

Será que existe uma pessoa que reúne absolutamente todas as características que desejamos?

A chamada Regra 80/20 propõe uma reflexão interessante: em um relacionamento, talvez seja mais importante encontrar alguém com quem exista uma grande compatibilidade do que procurar uma pessoa que corresponda a 100% das nossas expectativas.

Isso não significa aceitar qualquer coisa. Muito menos permanecer em uma relação que causa sofrimento.

Significa aprender a diferenciar aquilo que é realmente essencial daquilo que é apenas uma preferência.

O que é a Regra 80/20 nos relacionamentos?

A ideia é simples: imagine que você encontre alguém que compartilhe com você cerca de 80% daquilo que considera importante em uma relação.

Vocês têm valores semelhantes, objetivos de vida compatíveis, admiração mútua, respeito, carinho, boa comunicação e vontade de construir algo juntos.

Mas existem aqueles 20% de diferenças.

Talvez essa pessoa não tenha exatamente o mesmo gosto musical. Não goste dos mesmos programas. Tenha uma personalidade um pouco diferente da sua. Não demonstre afeto exatamente da maneira que você imaginava.

Isso significa que ela não é a pessoa certa?

Nem sempre.

Um dos grandes desafios dos relacionamentos é compreender que compatibilidade não significa ser igual.

O perigo de procurar alguém perfeito

Quando criamos uma lista muito extensa de exigências, podemos acabar confundindo preferência com necessidade.

Queremos alguém bonito, inteligente, bem-sucedido, romântico, divertido, carinhoso, independente, disponível, que goste das mesmas coisas, tenha os mesmos hábitos, pense da mesma forma…

E, quando encontramos alguém que reúne muitas dessas características, talvez ainda exista alguma coisa que não esteja exatamente como imaginamos.

Então começamos novamente a procurar.

O problema é que, nessa busca pela perfeição, podemos deixar passar alguém que poderia construir conosco uma relação muito mais saudável e verdadeira.

O amor não precisa encontrar alguém que complete todos os itens de uma lista. Precisa encontrar alguém com quem os itens realmente importantes façam sentido.

Mas atenção: 20% não significa aceitar tudo

Aqui está um ponto fundamental.

A Regra 80/20 não deve ser usada como justificativa para aceitar desrespeito, mentira, falta de confiança, manipulação, violência, infidelidade recorrente ou uma relação em que você se sente constantemente diminuído.

Existem diferenças que fazem parte da individualidade de cada pessoa.

E existem comportamentos que comprometem a própria estrutura de uma relação.

É preciso saber distinguir uma coisa da outra.

Não gostar do mesmo restaurante é uma diferença.
Não respeitar o parceiro é um problema.

Ter hobbies diferentes é uma diferença.
Ter valores completamente incompatíveis é outra questão.

Ser menos romântico do que você gostaria pode ser uma característica.
Não demonstrar interesse, cuidado ou consideração pode revelar uma incompatibilidade muito mais profunda.

Por isso, antes de pensar nos 20%, é importante entender quais são os seus 80%.

Quais são os seus 80%?

Se você está solteiro e deseja encontrar um relacionamento sério, talvez seja interessante fazer uma reflexão.

Em vez de começar perguntando:

“Como eu quero que essa pessoa seja?”

experimente perguntar:

“O que é realmente indispensável para que eu construa uma vida feliz ao lado de alguém?”

Pode ser:

  • respeito;
  • caráter;
  • confiança;
  • maturidade emocional;
  • objetivos de vida compatíveis;
  • vontade de construir uma relação;
  • admiração;
  • companheirismo;
  • diálogo;
  • responsabilidade;
  • carinho;
  • estabilidade;
  • valores semelhantes.

Esses são os aspectos que merecem mais atenção.

Já algumas preferências podem ser negociáveis.

Talvez você imagine alguém com determinado estilo, profissão, hobby ou personalidade. Mas será que essas características são realmente fundamentais para a felicidade de uma vida a dois?

Essa é uma pergunta importante.

E quais são os seus 20%?

Também vale olhar para o outro lado.

Quais características você gostaria que seu parceiro tivesse, mas que não são necessariamente essenciais?

Talvez você prefira alguém que goste de viajar tanto quanto você.

Ou que tenha exatamente os mesmos gostos culturais.

Ou que seja mais extrovertido.

Ou que demonstre carinho da mesma maneira que você.

Tudo isso pode ser desejável.

Mas é preciso perguntar:

“Eu realmente não conseguiria ser feliz com alguém que fosse diferente nisso?”

Às vezes, descobrimos que aquilo que parecia indispensável era apenas uma preferência.

O amor também exige espaço para a individualidade

Uma relação saudável não é aquela em que duas pessoas deixam de ser quem são para se tornarem iguais.

É aquela em que duas pessoas conseguem construir um “nós” sem perder o “eu”.

Cada um continua tendo sua história, seus amigos, seus interesses, sua personalidade e suas particularidades.

Por isso, algumas diferenças podem até enriquecer a relação.

Uma pessoa mais reservada pode aprender com alguém mais comunicativo.

Alguém mais planejador pode encontrar equilíbrio ao lado de uma pessoa mais espontânea.

Duas pessoas não precisam pensar exatamente da mesma forma para se admirarem.

Precisam, principalmente, respeitar as diferenças e compartilhar aquilo que é essencial.

Quando o 20% começa a ocupar 100% da nossa atenção

Existe ainda uma armadilha muito comum.

Quando estamos insatisfeitos, podemos começar a enxergar apenas aquilo que falta.

A pessoa é carinhosa, mas não gosta de viajar.

É companheira, mas não gosta das mesmas festas.

É responsável, mas não tem exatamente o estilo que imaginávamos.

É inteligente, madura e interessante, mas não corresponde àquela imagem idealizada que construímos na cabeça.

E, pouco a pouco, os 20% começam a parecer 80%.

Esse fenômeno acontece também quando comparamos nosso relacionamento com aquilo que vemos nas redes sociais.

Só que existe um detalhe:

nas redes sociais, normalmente vemos o melhor recorte da vida dos outros.

Não vemos as conversas difíceis, as diferenças, os dias ruins, as inseguranças e os conflitos.

Por isso, comparar a sua relação real com a versão editada da relação de outra pessoa pode criar uma insatisfação que não existia antes.

Para quem está procurando o Par Ideal

Na Par Ideal, acreditamos que encontrar alguém compatível não significa encontrar alguém perfeito.

Nosso trabalho começa justamente por compreender quem é você, o que você busca e quais características são realmente importantes para a construção de uma relação.

Porque uma apresentação não deve acontecer apenas porque duas pessoas estão solteiras.

Ela precisa fazer sentido.

Compatibilidade envolve muito mais do que aparência ou interesses em comum. Envolve valores, objetivos, personalidade, momento de vida e expectativas em relação ao relacionamento.

E talvez essa seja uma das grandes mudanças que precisamos fazer na maneira de procurar o amor:

parar de procurar alguém que corresponda perfeitamente à nossa fantasia e começar a procurar alguém com quem a realidade possa ser boa.

Afinal, o que realmente importa?

Talvez o amor não seja encontrar alguém que preencha 100% das nossas expectativas.

Talvez seja encontrar alguém com quem os 80% realmente importantes estejam presentes — e com quem exista disposição para conversar, compreender, crescer e construir os outros 20% juntos.

Porque relacionamento não é uma prova em que o outro precisa acertar todas as respostas.

É uma construção.

E, quando existe respeito, admiração, confiança, carinho e vontade de caminhar na mesma direção, algumas diferenças deixam de ser obstáculos e passam a fazer parte da beleza de estar com alguém.

No amor, talvez a pergunta não deva ser: “Essa pessoa tem tudo o que eu procuro?”

Mas sim: “O que existe entre nós é suficientemente verdadeiro, saudável e compatível para construirmos uma vida juntos?”

Essa pode ser uma maneira muito mais madura de procurar o seu Par Ideal.

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